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terça-feira, 2 de novembro de 2010

D. Maria à cores.

Postagem extra!

Fiquei muito contente com o presente que ganhei de um amigo na blogsfera. Ele fez um poema pra mim. Não é a primeira vez que ganho um texto, o que me faz muito feliz porque me permite crer que algo muito legal acontece aqui em casa.
Ganhei esse poema do Paulo Francisco, do blog CORES E NOMES. Fiquei emocionado pois ele capta muito do que pretendo, do que creio, como penso. O título é um show, adorei. Muito do que fazemos, e penso que você, Paulo, e tantos outros poetas, sabem que nosso trabalho é sim por fé, por emoção, grande prazer, exercício de cidadania, levando cultura web afora. Obrigado, a ti e a tantos poetas que escrevem e me dão o prazer de lê-los.

"PARTITURA (PROFISSÃO DE FÉ)
Para Saulo Taveira

Tenho a voz
Não me calo
Digo o que sinto
Digo o que quero
Passo - repasso
Pensamentos
Desejos
Falo o que acredito
Contribuo com o meu grito
Com minha voz - caminho
Faço dela minha estrada
Encanto/desencanto
Permaneço


[Não esqueço
de dizer nada]
Tenho a minha voz
E com ela
Grito à paz
Grito ao amor
Grito à esperança
E nesta partitura virtual
Mostro virtualidade alheia
Porque creio, ainda, nos homens
Deste mundo tão desumano
E enquanto existir a arte
Em poesia ou prosa
[Não importa]
Em tela ou em canção
Encanto-me
E com minha voz
Declamo
Exclamo
Quero paz!"

Para completar a postagem, seguem: um vídeo de D. Maria falando um pouco de seu espetáculo "Bethânia e as palavras" e a filipeta do evento que acontecerá sábado, dia 06 de novembro, em que ela se apresentará no "gran finale". Oxalá eu possa ir e permitir que Bethânia entre em mim, binque com meus sonhos, emoções e espírito, me alimente e eu volte melhor.



Vídeo retirado do http://www.youtube.com/.




Acesse aqui para ver o selinho eu ganhei da Cristiane, do blog Meu Olhar Caleidoscópio.

terça-feira, 31 de agosto de 2010

Meus es(quadro)s, com(passo)s e transferi(dor)es

Bem, seguindo com as gravações...

Tenho andado bem abusadinho, hehe. Fernando Pessoa, Vinícius de Moraes, Carmen Silvia Presotto e, agora, Adriana Calcanhotto. Adoro desafios. Para mim é uma honra e um prazer ouvir o que surge da junção desses poetas com o meu interpretar. Não vou voltar ao Narciso mas, tenho adorado, cada vez mais, o som da minha voz e as possibilidades de vida que ela produz, vida independente, que diz a que veio.
Nessa postagem eu trago "Esquadros" de Adriana Calcanhotto. Aprendi a admirá-la e, confesso, adoro o seu cantar nessa música, foi o que mais me estimulou. Contudo, no falar, a poesia se comunicava comigo de forma diferente, um mixto de emoções expostas aqui.
Claro, como sempre, quem está com o microfone diante de si, tem a chance de expressar suas impressões, ou mesmo ante um simples e atento ouvido. Curioso é que sempre gostei de ouvir as pessoas, sempre me permiti esse cuidado com o outro, coisa rara hoje em dia, uma lástima!. Nem poesia param para ler e ouvir hoje em dia.
Por isto desejo sucesso a Dona Maria com suas apresentações no Rio: "Bethânia e as Palavras" - certamente será maravilhoso! Um espetáculo onde ela interpreta textos de diversos autores e cantarola um pouquinho, como a própria disse no 'Sem Censura' de 27/08/2010. A quem puder e interessar, aproveite a dica, valerá a pena, certamente.

Agora eu:

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Revelações Genealógicas

Nossa! Eu não havia percebido o tempo que estava sem postar aqui. Mas estou de volta e hoje trago uma descoberta "familiar".

Imagina que eu, Saulo Taveira Peixoto sou, à léguas de distância, parente de Santo Antônio. KKKK
É de rir mesmo. No mínimo. Achei o máximo descobrir isso:

"De Lisboa até Coimbra
Santo António, de seu nome Fernando, filho de Martim de Bulhões e Maria Teresa Taveira Azevedo, nasceu em Lisboa entre 1191 / 1195, (aceita-se oficialmente a data de 15 de Agosto de 1195[3]), numa casa próxima da Sé de Lisboa, às portas da cidade, no local, assim se pensa, onde posteriormente se ergueu a Igreja sob sua invocação."

http://pt.wikipedia.org/wiki/Santo_Ant%C3%B3nio_de_Lisboa

Estava num bar, comendo pizza com Marcela, Marcio e tia Telma, quando esta nos contou essa nova tão antiga. Quando titia falou eu não acreditei, nunca me passou pela cabeça algo assim... É gostoso saber mais sobre a história, a própria linhagem - tô longe do Graal, mas santificado. rsrs
E tem mais, o Santo era leonino, como eu, aniversariando pertinho, muitas coincidências, assim vou virar devoto do Santo, gente!
Fiz várias descobertas sobre o nome, a história da família, meu primeiro nome e ainda há muito o que buscar.
As descobertas seguem, a troca continua, e muitas mudanças se apresentam.
Estou me mudando para Rio das Ostras, ficar mesmo mais próximo do mar (são vários os mares), só uma pista - duas vias de carros, praticamente, nos separam. Muito vento, nossa, como venta naquele lugar - acho que Iansã escolheu Rio das Ostras pra morar, e o vento me dá uma sensação de liberdade, talvez em todos ou muitos, mas me sinto voar; isso não é redundante.
As revelaçõe seguem, muitas mais virão, mesmo porque esse blog é uma auto-descoberta fantástica e necessaria, hoje, em minha vida.



Texto: O Poeta Come Amendoim com Renata Sorrah e música "Santo Antônio" com Maria Bethânia.

Show Brasileirinho.
Apresentação beneficente para o Instituto Pró Criança Cardíaca realizada dia 25/09/2008

quinta-feira, 22 de julho de 2010

Revelando-me IV


Monólogo de Orfeu - Tom Jobim e Vinícius de Moraes


Me uso como exemplo, me exponho e lanço a dúvida pra gerar mesmo a reflexão, me tiro do armário afim de que a verdade sempre se apresente e o faço há, pelo menos, uma década, embora aprendendo a valorizar isso somente agora. Bem, é a inteção com a única pretenção de produzir o pensar.
Verdade minha que não é necessariamente sua, mas é esse o meu espaço de catarse.
Enfim, falo de mim e daqueles nos quais me reconheço "narcisicamente", e se há alguém que muito tem mexido comigo, é a Maria Bethânia.
Encontrei, como que por acaso, uma entrevista dela à Playboy de novembro de 1996. A entrevista é maravilhosa, perfeita, que sobriedade, seriedade, ética, teatralidade, segurança, controle. Descobri uma identificação sem igual com essa mulher, percebo muito em comum, existe uma dedicação, um aprender de ofício, uma ruptura de padrões... tá, eu sei que Bethânia é única, mas relato uma identificação inexplicável da minha parte.
Curioso como há grandes pontos de contato, escrevi, há pouco que não mudaria nada físico em mim, ela diz isso na entrevista, chegar até onde chegou, sem problemas ou neuras. “Convivo muito bem comigo, não me atrapalho em nada” Isso é ótimo, tenho, ao menos, tentado fazer o mesmo em vários campos do meu existir. Também há outro ponto alto: “Tudo pra mim tem que ter teatro.” Achei, sinceramente, fantástico. Criar sobre, não é puramente encenar, fingir; é envolver, significar, enaltecer, valorizar. Cada momento é mágico, a vida é teatro, cada um protagonista de si. Essa força que vem dela e me toma, essa vida, independência... Costumo dizer que a Elba Ramalho me transmite sexualidade, energia sexual mesmo, pura e simples, acho-a muito “viril” – sexualmente me expressando. Já a Bethânia tem uma liberdade, uma não culpa em suas ações, em seu pensar, agir no palco e fora dele. Claro, há consequências e sei exatamente quais são; as cobranças, a pior das consequências, vêm de toda parte, de nós mesmos, buscando a auto-superação sendo cada vez mais brilhantes, e assim, também, uma aprovação sabe-se lá de quem. (Bem, sempre sabemos, mas já não me interessa mais. Não quero corresponder expectativas). Não é à toa que gostamos de palco, que venho aqui e me uso, me exponho, chamo a atenção pra mim, me faço centro. É engraçado ser estranho entre tantos outros estranhos. Descobrir comportamentos e características antes criticadas por vergonha ou pudor - detesto ditos, mas "quem desdenha quer comprar".
Sobre a Maria, percebo-me escrevendo como se fosse íntimo dela, mas a identificação com a persona Bethânia é tamanha que me sinto, quase, escrevendo sobre parte de mim. Eu e Maricotinha somos maravilhosos! KKKK
Outra maravilha, a paixão – sinto que tenho que estar apaixonado por algo! Nesse momento, que escrevo, me acende uma luz: minhas paixões, descubro agora, viram manias, neuras até. Penso nisso ou naquilo o dia todo. Quero realizar, conseguir, sei lá o que fazer, mas algo aprontarei. A paixão pode ser por alguém, por algo – idéia, coisa - assim foi até eu descobrir a arte e conseguir canalizar melhor essa força. Sempre com paixão, claro.
Cada dia me descubro mais, me revelo, me exponho a mim. Descubro vaidades, vontades, belezas, passo a valorizar características que escondia ou subestimava... como disse a Tianne no comentário pra mim da penúltima postagem: "Nada de falsa modéstia, nada de falso pudor...Sê belo,sê verdadeiro, sê inteiro...Essa,a maior beleza. Nada de "apreciar com moderação". Embriague-se, mas não se perca de si."
Tenho aprendido a me embriagar de mim e até mesmo tentado me perder em mim mesmo. São anos de auto-desmerecimento, subestimação, enfim, esse é o local de eliminação do coitadinho, sem lamúrias; e nada disso tem a ver com a postagem.
Bethânia, ao menos no palco, em sua arte (infelizmente não a conheço pessoalmente, por isso a limitação na fala) é inteira, sem sombra de dúvidas. Ela transpira, inspira-nos, se entrega, nos arrebata. Eu, particularmente, fico hipnotizado por ela. Se ponho o DVD pra tocar, as imagens me absorvem e deixo queimar até o arroz e o feijão.
O curioso é que o meu Narciso se reconhece, muitas vezes, nas mulheres. Tenho paixão por esses seres. Acredito que isso se deva pela forte presença de duas mulheres em minha vida - que me lembram a Bethânia, ou na forma de se vestir, ou na postura, no pensar, na firmeza, na entrega, na coragem - duas tias: Telma Taveira e Iria Selma.
Penso que, em nossa sociedade, a mulher conquistou um espaço de maior expressão de si, de maior espontaneidade. O homem tem sempre que ser macho: não chorar, não rir alto, não expor os sentimentos. (sociedade é massa, massa lembra controle que lembra unanimidade que me faz lembrar que esta é burra.) É, pensam que o homem não sofre castrações e cobranças, se enganam. E dentro de mim (muito castrada) há vida espontânea tão forte que tenho vontade de explodir. Administrar isso é complicado. Mais ainda, quando não entendido, os rótulos estão a solta, voando pelos ares como folhas caindo pós primavera.


Link para a entrevista: http://www.diamanteverdadeiro.hpg.ig.com.br/playboy.html
Link para o vídeo: http://www.youtube.com/watch?v=KUTiKPPDld4&feature=related

quarta-feira, 23 de junho de 2010

Vendo e-mails, ouvindo a rádio, a conversa ao telefone no fundo...
escrevendo sem rumo.
Chego a ouvir a voz de quem está do outro lado do telefone (e a conversa nem era comigo), não sei se fala alto, se as respirações aqui estão muito baixas, se passei a ter uma super audição - tomara!!! - até ouvir pensamentos. rsrs

Bom, acordei hoje com uma vontade enorme de postar esta música, que é uma das minhas prediletas, cantada pela maior intérprete do Brasil, Maria Bethânia. E claro, graças ao santo youtube, também disponibilizo a imagem.

Dona do Dom
                           Chico César

http://www.youtube.com/watch?v=sAbtYrjxTWA&feature=player_embedded


"Dona do dom que Deus me deu
Sei que é ele a mim que me possui
E as pedras do que sou dilui
E eleva em nuvens de poeira
Mesmo que às vezes eu não queira
Me faz sempre ser o que sou e fui
Eu quero, quero, quero, quero ser sim
Esse serafim de procissão do interior
Com as asas de isopor
E as sandálias gastas como gestos de um pastor

Presa do dom que Deus me pôs
Sei que é ele a mim que me liberta
E sopra a vida quando as horas mortas
Homens e mulheres vêm sofrer de alegria
Gim, fumaça, dor, microfonia
E ainda me faz ser o que sem ele não seria
Eu quero, quero, quero, é claro que sim
Iluminar o escuro com meu bustiê carmim
Mesmo quando choro
E adivinho que é esse o meu fim

Plena do dom que Deus me deu
Sei que é ele a mim que me ausenta
E quando nada do que eu sou canta
E o silêncio cava grotas tão profundas
Pois mesmo aí na pedra ainda
Ele me faz ser o que em mim nunca se finda
Eu quero, quero, quero, quero ser sim
Essa ave frágil que avoa no sertão
O oco do bambu
Apito do acaso
A flauta da imensidão"

Essa música está no "Maricotinha ao vivo", cd que adoro, ouço sem parar e, incrivelmente, não consigo decorar as músicas - penso que fico tão inebriado com ela cantando, que nem ouso. É uma heresia.
Acho minha voz linda, mas cantando, meu amigo... um verdadeiro desastre, pássaros voam, animais correm, pessoas se afastam; me sinto um incêndio.

domingo, 13 de junho de 2010

Identidade

Vale a pena ver esse vídeo:
http://www.youtube.com/watch?v=BDcFa16ZisY&a=y9FTbrT5m3g&playnext_from=ML&playnext=1

Primeiro que ela - Bethânia cantando é MA-RA-VI-LHO-SA. Segundo, que o vídeo começa com a interpretação de um texto - lindo por sinal - onde é possível observar a já formada IDENTIDADE artística e interpretativa dela. Claro, a juventude tem pressa, e observo isso em sua "leitura" - e reconheço a mim com grande satisfação e alegria, sem o menor pudor ou modéstia.
Sabedoria, experiência adquirida nas "estradas são feitas de passos"... os anos são fundamentais. Como é lindo envelhecer, crescer; e ainda assim não perder a cara, o jeito, a IDENTIDADE, mas amadurecer, conhecer-se.

Me recordo de duas coisas: a 1ª é quando Bethânia conta no álbum "Maricotinha - ao vivo" que, quando cantava, ainda jovem, no início da carreira, nas boates em São Paulo e Rio de Janeiro, sentia que alí ela aprendia o seu ofício. O 2º foi há pouco tempo, Ana Maria Braga perguntando à Cristiane Torlone, após ver imagens da atriz de 1976, sobre a garota da imagem e a mulher de hoje, como ela faria a cena vista, como diria o texto e usaria a emoção após tantos anos... Torlone, sem pestanejar disse que é a mesma motivação, a mesma verdade - que se se perde a "essência verdeira" após/com e por causa da técnica e experiência, perde-se o jogo.

A arte nos traz alegrias e satisfações da meninice. O artista jamais pode perder o novo, o tesão, a verdade. Ele amadurece, mas o Jesus "que fugiu para o sol e desceu pelo primeiro raio que abriu... uma criança bonita, de riso natural... damo-nos tão bem um com o outro na companhia de tudo, que nunca pensamos um no outro... ele dorme dentro da minha alma..." Esse, sempre iluminará a todos pelo sorriso do artista.

Saulo Taveira.